Casal mantinha casamento de fachada para ter promoções na PM, diz irmão
Estilo News
15 de Julho de 2016 às 15h34min
Casal mantinha casamento de fachada para ter promoções na PM, diz irmão

Campo Grande News

Um casamento de fachada. É assim que a família do major Valdeni Lopes Nogueira, 47 anos, resume a relação dele com a esposa tenente-coronel Itamara Romero Nogueira, 40 anos. A mulher matou com um tiro no tórax o marido militar que, segundo a família, só se casou com ela para conseguir ser promovido na Polícia Militar.

Conforme o irmão da vítima, Valdeci Alves Nogueira, 49, há 15 anos Valdeni decidiu se casar com Itamara, porque os dois queriam ser promovidos e a Polícia Militar exige uma postura social para ascensão. “Nunca houve casamento de verdade. Eles só precisavam atender os requisitos do perfil social exemplar que a polícia exige e tiveram que manter isso por anos”, disse.

Valdeni, foi subcomandante do 10º BPM (Batalhão de Polícia Militar) de Campo Grande e atualmente era subcomandante do GGI-Fron (Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira).

Já Itamara trabalhava como ajudante de ordem do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). Antes, ela já foi subcomandante do antigo Ciptran (Companhia Independente de Polícia Militar de Trânsito) e comandante do Corpo de Alunos do CEF (Centro de Ensino e Formação) da PM.

Ainda segundo Valdeci, o major e a tenente coronel nem dormiam juntos, mesmo assim, com o passar do tempo, ela se mostrou possessiva e quando ele quis a separação, houve a primeira ameaça. “Ela disse que ela até poderia se casar novamente, mas ele jamais teria outra esposa”, afirma.

A tenente coronel e a vítima aparentemente eram casados, porém, em sua página no Facebook, Valdeni mantinha o status de "solteiro".

Crime premeditado – “Ela sabia que um tiro seria fatal”, é com essa afirmação que a família do major defende a versão de que o crime foi premeditado pela tenente coronel.

De acordo com o irmão da vítima, por ser profissional da área de segurança, Itamara conhecia a arma e a munição que utilizou para matar Valdeni. “Ela sabia que não precisava de muitos tiros e que com um tiro naquela região do corpo ele iria morrer”, acredita.

Além disso, conforme Valdeci, pela aparência do corpo do major, não há indícios de que ele tenha brigado e dado socos na tenente coronel, como afirma a defesa.

Defesa - O advogado José Roberto Rosa vem afirmando que Itamara foi vítima de violência doméstica, que já ocorria há tempos, e desta vez, agredida com socos e tapas, teria sido ameaçada de morte pelo marido e agiu em legítima defesa.

Segundo o defensor, a discussões seguidas de agressões teriam se intensificado nos últimos meses e, no dia do crime, o motivo da desavença entre o casal seria uma viagem que eles fariam na madruga de quarta-feira (13) para o Nordeste.

“Ele (major) teria desistido de viajar, sem nenhuma razão, e os dois começaram a discutir o que levou ao crime”, disse. Conforme Rosa, a oficial teria sido agredida por repetidas vezes e chegou a ser derrubada no chão.

O advogado ressaltou que o casal vivia, até então, harmoniosamente como marido e mulher, apesar de haver rumores de que os dois tinham relacionamentos extraconjugais. Inclusive, o major ostentava ser solteiro em seu perfil na rede social Facebook e em um aplicativo de relacionamento.

“Não há nada disso. Os dois presavam pela família, até porque eles tem uma filha e viviam bem como marido e mulher. Ela (Itamara) disse que desconfiava de alguma coisa, mas nunca tocou no assunto e isso nunca foi problema pra ela”, disse.

Ainda conforme o defensor, Itamara segue para alojamento da Penitenciária Militar, onde está detida desde ontem (13). Antes, a tenente-coronel ficou internada no Hospital Militar. O defensor deve entrar nesta sexta-feira com um pedido de revogação da prisão e pedir medidas alternativas, em último caso, prisão domiciliar.

 

O delegado responsável pelo inquérito, Cláudio Zotto, informou que, a partir de amanhã (15), serão ouvidos familiares de Itamara. Os parentes de Valdeni devem ser ouvidos na próxima segunda-feira (18). Até o momento, cinco pessoas, incluindo a oficial, já prestaram depoimento. Itamara foi autuada em flagrante e o caso está sendo tratado como homicídio simples e lesão corporal dolosa.

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